O vírus chikungunya

O vírus deve se espalhar pelo país seguindo o padrão de disseminação da dengue. No verão, portanto, é provável que diferentes regiões do país tenham surtos simultâneos de dengue e chikungunya.

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Agosto 2015 Edição do Mês
Lusiane Borges

Biomédica.Cirurgiã-dentista. Especialista em Microbiologia. MBA em Esterilização. Pós-Graduada em Prevenção e Controle de Infecção em Saúde e Epidemiologia. Coordenadora de Cursos de ASB/TSB, desde 2000, em nove APCDs e duas ABOs. Membro do Conselho Científico da Odonto Magazine. Autora do livro "AST e TSB - Formação e Prática da Equipe Auxiliar", Ed. Elsevier, 2014. Consultora em Biossegurança em Saúde - Biológica. Organizadora do CIATESB. Consultora Científica da Oral-B, Fórmula & Ação, Sercon/Steris e outros. Representante do Brasil na OSAP, EUA. Responsável pelo site www.portalbiologica.com.br.


Segundo especialistas, o vírus chikungunya deve se espalhar pelo país seguindo o padrão de disseminação da dengue. No próximo verão, portanto, é provável que diferentes regiões do país tenham surtos simultâneos de dengue e chikungunya.

Desde que chegou ao Brasil, até o dia 25 de outubro, o chikungunya já infectou cerca de 828 pessoas, de acordo com balanço mais recente do Ministério da Saúde. Do total, 299 foram transmitidos dentro do próprio país (casos autóctones). Outros 39 casos foram importados, ou seja, os pacientes foram infectados durante viagens a outros países.

A informação divulgada pelo Ministério da Saúde no final do mês de novembro é que, somente na segunda quinzena do período, houve um aumento de 491 casos. O primeiro caso de transmissão interna do vírus no país foi registrado em setembro.

Lembrando que os vetores da dengue e chikungunya são os mesmos: os mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus.

A dengue está no Brasil há mais de 20 anos e, até o momento, não foi possível excluir a infecção, pois os mosquitos não foram eliminados, portanto, a chance do chikungunya seguir um padrão semelhante de ocorrência é grande.

A expansão do vírus começou em 2004, quando estava no interior da África, e se estendeu até o litoral do Quênia. De 2004 para cá, houve uma expansão progressiva pela costa leste da África, pelas ilhas do Oceano Índico e países do sul e sudeste da Ásia. Em dezembro de 2013, chegou às ilhas Martinica e Guadalupe, e acabou se espalhando pelo Caribe. Isso mostra, nitidamente, que é um vírus que está se espalhando pela locomoção humana.

Vale lembrar que, na época de férias, existe uma movimentação maior de pessoas, inclusive para as ilhas do Caribe, onde há grande disseminação do vírus. Se houver chuvas - que levam a um maior número de mosquitos - existe uma probabilidade muito grande de o chikungunya eclodir como uma epidemia no próximo verão no Brasil.

Em 2013, o registro de casos de dengue foi muito alto: 1.452.489 pessoas foram infectadas. Este ano, até início de outubro, foram 547.612 casos, o que representa uma tendência de diminuição de infecções.

Medidas locais, como o controle dos criadouros de mosquitos e o uso de mosquitos geneticamente modificados para controlar os vetores da doença podem surtir efeito no próximo verão. Além disso, quando há um número muito grande de infectados em um ano, no ano seguinte, o número de casos tende a ser menor, pois já há mais pessoas imunes aos subtipos de vírus que circularam no período anterior.

Apesar de provocarem sintomas parecidos, trata-se de vírus totalmente distintos. Assim, quem já teve dengue, não está imune ao chikungunya. O fato de já ter tido dengue também não determina que uma infecção por chikungunya seja mais grave.

A infecção pelo vírus provoca sintomas parecidos como os da dengue, porém, mais dolorosos.

No idioma africano makonde, o nome chikungunya significa “aqueles que se dobram”, em referência à postura que os pacientes adotam diante das penosas dores articulares que a doença causa. Em compensação, comparado com a dengue, o novo vírus mata com menos frequência.

Em idosos, quando a infecção é associada a outros problemas de saúde, ela pode até contribuir como causa de morte, porém, complicações sérias são raras.

Diferentemente da dengue, que tem quatro subtipos, o chikungunya é único. Uma vez que a pessoa é infectada e se recupera, ela se torna imune à doença.

Não há um tratamento capaz de curar a infecção, e nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas. Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.

Sobre a prevenção, valem as mesmas regras aplicadas à dengue: ela é feita por meio do controle dos mosquitos que transmitem o vírus. Portanto, evitar água parada, que os insetos usam para se reproduzir, é a principal medida. Em casos específicos de surtos, o uso de inseticidas e telas protetoras nas janelas também pode ser aconselhado.

Até a próxima!

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