O envelhecimento do profissional da saúde

Gerontofobia é o medo de envelhecer por achar que esse é o ponto final, que não haverá mais espaços sociais e para reconhecimento.

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Agosto 2015 Edição do Mês
Gleice Oliveira

Mestre em Ciência do Envelhecimento. Pós-graduada em Medicina Integrativa. Especialista em Semiótica da Marca. Publicitária. Consultora e Diretora da AConsultora. Professora e Palestrante de Marketing para área da saúde.


 A primeira percepção da velhice se dá no corpo, gerando inquietação por alguma limitação ou modificação não esperada. Muitas pessoas definem o marco do envelhecimento como o momento em que se decide parar de atuar profissionalmente.

O profissional da saúde lida diariamente com o cuidado da saúde e do envelhecimento de seus pacientes, acompanhando o aumento da longevidade e da importância do autocuidado para vivenciar esta fase da melhor maneira possível.

Um estudo realizado constatou que 93% dos cirurgiões-dentistas entrevistados apresentavam distúrbios osteomusculares em pelo menos uma parte do corpo, sendo coluna e ombro as partes mais frequentes, desencadeados, principalmente, pela má postura durante o exercício da função¹. Destes profissionais, 52% afirmaram trabalhar mais do que 40 horas semanais.

Outro levantamento, com profissionais atuantes em unidades de saúde, identificou que 56% dos profissionais eram sedentários e com peso corporal elevado, 33% tinham pressão arterial alta e 74% apresentavam risco coronariano².

Atuando como consultora, conheci a realidade de diversos profissionais e clínicas de saúde. Os fatores que me chamaram muito a atenção foram:

  • A rotina exaustiva, devido à exigência dos clientes por horários cada vez mais estendidos unida à necessidade do aumento de produtividade.
  • Falta de tempo e/ou recursos para o autocuidado ou para atividades extras.
  • Dificuldade em sair de férias, pois implica na paralisia do seu negócio.
  • Diminuição dos rendimentos em decorrência da atuação das operadoras de plano odontológicos e o aumento do número de profissionais atuantes.
  • Insatisfação pessoal pelas condições mercadológicas e retorno obtido.

Diante deste quadro vivido por grande parte dos profissionais da Odontologia, o que seria, para você, envelhecer bem? Acompanhe alguns depoimentos de colegas sobre este tema³:

“Saúde é fundamental, não ter dor, manter a mobilidade, não depender dos outros, não ter doenças” (M, 45 anos).

“Você poder olhar para trás e ver que fez alguma diferença. Fantástica é a realização pessoal. Na rua todo mundo me conhece. Às vezes eu vou a algum lugar e eles me chamam. Eu acho tão legal isto” (F, 52 anos).

“Não gosto e não aceito a ideia de envelhecer. Procuro fazer tudo na área de estética. Ainda não fiz tudo o que eu queria para que eu me olhe no espelho e me sinta com a minha idade ou pelo menos 10 anos mais nova” (F, 46 anos).

“... não adianta ter dinheiro e não poder aproveitar, mas também, mesmo durante, a gente tem que aproveitar a vida em todas as fases. É o que eu falo com o meu marido. Não adianta você só se programar para depois, pois o depois, às vezes, não chega como a gente imagina” (F, 53 anos).

Todos estes depoimentos ilustram como envelhecer bem é um conceito individual baseado em valores e, o que é fundamental para um, pode não ser para o outro.

De qualquer forma, o objetivo deste texto é servir de alerta para repensar de que forma estamos cuidando de nós mesmos.

Quais as atitudes de autocuidado para que possamos viver e envelhecer de uma forma bem-sucedida?

A envelhescência é a fase dos 45 aos 60 anos no qual as pessoas se preparam para a entrada na velhice, uma alusão ao que acontece da adolescência para a fase adulta. É nesta época que começamos a pensar no possível e não mais no ideal, e a se preparar diante das novas exigências do corpo.

Avalie cada área de sua vida, pois, com certeza, todas elas interferem em sua saúde e bem-estar. Faça planos e verifique se suas atitudes atuais estão colaborando para que você alcance estas metas. Lembre-se de que identificando o que te incomoda você conseguirá traçar ações para modificar esta situação.

Todos nós sabemos a receita básica, ou seja, a importância dos cuidados com alimentação, atividade física, lazer, realização de exames preventivos e o equilíbrio emocional. Mas, além disso, repense sua forma de trabalho, investindo no desenvolvimento de uma equipe ou diversificando suas fontes de renda. Estabeleça um planejamento financeiro que proporcione tranquilidade em longo prazo e sinta prazer em todas as atividades que realiza.

Respeite sua essência, seu jeito único de ser, pois é isso o que o torna tão especial.

A velhice não é mais a etapa de vida aonde se aguarda a morte. É a fase do cuidar de si, fazer escolhas que lhe façam bem, ter tempo para desenvolver atividades que gosta, aprender, conviver, relacionar-se, amar, enfim, é a deliciosa etapa de viver para si sem ter que se preocupar com o que os outros irão dizer.

Sucesso em suas escolhas!

 

Referências

1. Kotliarenko, A. Distúrbios osteomoleculares e fatores associados em cirurgiões dentistas do meio oeste do estado de Santa Catarina. Revista Odonto Ciência, 24(2): 173-179, 2009.

2. Barel,M.; Louzada. Associação dos fatores de risco para doenças cardiovasculares e qualidade de vida entre servidores da saúde. Revista Brasileira de Educação Física e Esporte, São Paulo, 24(2): 293-303, 2010.

3. Oliveira, G.A.M. Os profissionais da saúde e as atitudes de autocuidado para o envelhecimento bem-sucedido. Dissertação de Mestrado, USJT:2012 disponível em: http://www.usjt.br/biblioteca/mono_disser/mono_diss/2013/232.pdf.

 

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